Sobre o jornalEquipe editorialApoiadoresFomentadoresCorrespondentes
Jornal da Justiça, Referência em informação jurídicaINFORMAÇÃO COM CONTEXTO. DIREITO COM CLAREZA.

Reportagem

Dossiê Banco Master

Justiça e Tribunais / Radar Jurídico

Da venda de créditos aos ataques ao BC: como a investigação do Master se ampliou

A operação começou com carteiras de crédito e alcançou fundos, servidores, políticos, patrimônio e campanhas digitais. Cada fase responde a um objeto diferente.

Viatura da Polícia Federal diante de edifício público
Viatura da Polícia Federal diante de edifício público. Foto de arquivo usada como contexto; não registra necessariamente o fato específico narrado na matéria. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Operação Compliance Zero começou com suspeitas sobre carteiras de crédito e se desdobrou em apurações sobre o destino do dinheiro, fundos e relações de Daniel Vorcaro. Entre a primeira fase, em novembro de 2025, e a décima, em julho de 2026, a investigação deixou de se concentrar apenas no funcionamento do Banco Master.

O nome de cada fase organiza uma ação policial, não uma nova condenação. Buscas, prisões e bloqueios podem alcançar objetos diferentes dentro de um mesmo conjunto de suspeitas. O vínculo entre eles depende dos processos e das provas reunidas, e não apenas de aparecerem sob a marca Compliance Zero.

Na origem, está a verificação de operações financeiras e da existência dos créditos negociados. Os desdobramentos passaram a examinar outras formas de atuação ligadas ao caso. Na décima fase, a PF informou que o foco incluía ataques digitais contra o Banco Central.

A primeira fase cumpriu sete mandados de prisão e 25 de busca em cinco estados e no Distrito Federal. Daniel Vorcaro e outros executivos foram presos; dirigentes do BRB foram afastados. A investigação tinha como núcleo a venda de créditos suspeitos ao banco público.

Da fraude bancária à rede de fundos

Fases posteriores buscaram documentos, celulares, contratos e ativos relacionados a fundos e empresas. O compartilhamento de provas com investigações sobre REAG e outros grupos ampliou a hipótese de circulação de recursos e lavagem.

Até 14 de maio de 2026, seis fases haviam produzido 21 ordens de prisão, 116 buscas e medidas patrimoniais próximas a R$ 27,7 bilhões, conforme balanço da Agência Brasil. Os números incluem decisões cautelares e não equivalem a condenações.

O avanço sobre agentes públicos e política

Novas fases passaram a investigar suspeitas envolvendo servidores de órgãos de fiscalização e autoridades políticas. Diligências ligadas a nomes públicos provocaram deslocamento de competência e supervisão do STF.

A nona fase alcançou fatos relacionados ao senador Jaques Wagner, que negou irregularidade. Outras frentes examinaram relações com parlamentares de diferentes partidos, pagamentos, viagens e projetos.

Em 9 de julho, a PF deflagrou a décima fase para apurar atuação coordenada em redes sociais destinada, em tese, a comprometer a credibilidade do Banco Central. Foram cumpridas duas buscas em Brasília.

A numeração das fases não significa que todas investiguem a mesma conduta. Cada decisão define objeto, pessoas, locais e fundamentos. A cronologia deve registrar mandados cumpridos, crimes em tese, valores cautelares e processo supervisor. Também precisa indicar quando uma medida foi revogada, quando o alvo apresentou defesa e quando provas foram compartilhadas. Sem essas informações, a soma de operações cria impressão de confirmação acumulada que o processo pode não sustentar.

Como ler cada fase

OrigemQual fato ou prova motivou a diligência.
MedidaBusca, prisão, bloqueio ou outra providência autorizada.
ResultadoO que foi apreendido ou preservado, sem antecipar validade.
SituaçãoInvestigação, denúncia, julgamento ou arquivamento.

A expansão nacional decorreu de ramificações financeiras e institucionais, não apenas do número de mandados. Fundos, empresas, agentes públicos e campanhas digitais exigiram frentes diferentes. O STF passou a supervisionar partes ligadas a autoridades com foro, enquanto outros fatos podem permanecer em instâncias distintas.

A cronologia mostra como uma investigação pode mudar de escala. Para não misturar objetos, cada notícia deve identificar fase, decisão, fatos investigados, pessoas alcançadas e resultado já conhecido.

Documentos e fontes consultados

A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.

Comentários (0)

Participe da conversa.

Seu e-mail será registrado pelo Jornal da Justiça e não aparecerá no comentário. Comentar não inscreve você na newsletter.Respeite os demais leitores. Não publique dados pessoais de terceiros, ameaças ou publicidade. Comentários podem ser moderados. Privacidade

Seja o primeiro a comentar.

Continue a leitura