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Reportagem

Dossiê Banco Master

Bancário / Radar Jurídico

Caso Banco Master: como fundos, empresas e operações formaram o labirinto do dinheiro

Recursos captados em CDBs, cotas de fundos, notas comerciais e recebíveis aparecem em cadeias sucessivas. Seguir o dinheiro exige separar forma jurídica de benefício econômico.

Notebook e material de trabalho em uma mesa
Notebook e material de trabalho em uma mesa. Foto ilustrativa de arquivo; não reproduz documentos das operações do Master. Foto: Oli Dale olidale · CC0

A investigação do Master acompanha recursos que passaram por fundos, empresas e títulos antes de chegar ao destino final. Em documentos da PET 15.198, valores bilionários aparecem associados a estruturas de investimento e operações cuja origem, lastro e beneficiários são examinados pelas autoridades.

O desafio é seguir o mesmo dinheiro sem contá-lo várias vezes. Um aporte em fundo pode financiar a compra de um título, que depois aparece no balanço de outra estrutura. Somar todas essas passagens produziria uma cifra maior do que o recurso que entrou na cadeia.

Também há diferença entre o titular formal de um ativo e quem se beneficia economicamente dele. Contratos, extratos e vínculos societários ajudam a reconstruir essa relação. A investigação procura estabelecer se as operações tinham fundamento econômico e se os valores registrados correspondiam a direitos efetivos.

A decisão da PET 15.198 menciona mais de R$ 3,5 bilhões investidos pelo Master em fundos nos quais seria cotista único e cerca de R$ 1,8 bilhão desses fundos aplicado em notas e recebíveis de empresas vinculadas. O valor global usado naquela medida patrimonial chegou a R$ 5,775 bilhões.

Por que várias camadas dificultam a leitura

Cada operação isolada pode ter contrato, registro e justificativa. O desafio é saber se o conjunto transferia risco, criava preço independente ou apenas fazia o dinheiro circular entre entidades ligadas, produzindo aparência de ativo novo.

Estruturas com fundos também dividem responsabilidades. Administradora, gestora, distribuidor, custodiante, auditor e cedente podem enxergar partes diferentes da operação. A fragmentação não elimina deveres; torna essencial definir quem tinha a visão necessária para detectar a cadeia.

Beneficiário final é diferente de sócio formal

Investigações financeiras procuram quem controla decisões e recebe vantagem econômica, mesmo quando cotas ou empresas estão formalmente em nome de terceiros. Para demonstrar controle oculto, é preciso cruzar pagamentos, instruções, comunicações, procurações e padrões de comportamento.

A simples presença em organograma societário também não prova participação em ilícito. Empresas podem prestar serviço, administrar veículo ou fazer operação legítima.

Somar todas as setas pode duplicar o mesmo dinheiro. R$ 1 bilhão que passa por banco, fundo e empresa não se transforma automaticamente em R$ 3 bilhões de prejuízo. É necessário distinguir estoque, fluxo, valor nominal, exposição e perda esperada.

Mapear o fluxo exige separar transferência jurídica de benefício econômico. Um banco pode comprar cota de fundo, o fundo adquirir título de uma empresa e a empresa pagar outra sociedade. Cada etapa pode ter contrato formal. A pergunta é quem controlava as decisões, qual era a finalidade declarada e onde o dinheiro terminou. Relação societária, administrador comum, endereço compartilhado e procurador repetido ajudam a formar o mapa, mas nenhum desses vínculos substitui extratos, contratos e prova do serviço ou ativo entregue.

O risco de uma narrativa gráfica é transformar proximidade visual em culpa. Linhas em um diagrama devem indicar o tipo de relação e a fonte: participação societária, contrato, pagamento, mensagem ou decisão. Datas também são indispensáveis. Uma empresa controlada anos antes pode não ter a mesma ligação no momento da operação. O objetivo não é produzir um emaranhado impressionante, mas reduzir o labirinto a sequências verificáveis que permitam perguntar se houve negócio real, conflito de interesse ou circulação sem propósito econômico demonstrado.

É a que mostra qual documento sustenta cada ligação, que data ela representa e qual pergunta permanece sem resposta.

Documentos e fontes consultados

A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.

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