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Saúde / Radar Jurídico

Projeto quer ampliar nirsevimabe no SUS para crianças no primeiro ano de vida

Anticorpo contra o VSR já é oferecido a grupos elegíveis. PL 3.209/2026 propõe política permanente e cobertura mais ampla, mas ainda não é lei.

Pessoa adulta e criança sentadas à mesa em ambiente doméstico.
Família fotografada em Seattle, nos Estados Unidos, em 2024. Imagem de contexto sobre cuidados na infância; não retrata beneficiários do SUS nem identifica criança com VSR. Foto: USDA / Wikimedia Commons — imagem redimensionada · Domínio público — https://creativecommons.org/publicdomain/mark/1.0/

O Projeto de Lei 3.209/2026 propõe que o SUS ofereça nirsevimabe a todas as crianças durante o primeiro ano de vida, conforme indicação clínica e período de circulação do vírus sincicial respiratório (VSR). O texto também contempla crianças no segundo ano de vida com maior risco de doença grave. A proposta ainda não é lei.

O anticorpo já integra o atendimento público para grupos elegíveis. Assim, a discussão não parte da ausência completa do produto no SUS: envolve ampliar a cobertura e estabelecer uma política permanente em lei.

Apresentado pela deputada Fernanda Pessoa (PSD-CE), o texto original busca reduzir internações e mortes por bronquiolite, pneumonia e outras complicações relacionadas ao VSR.

O que mudaria com o projeto

A proposta contempla o primeiro ano de vida desde o nascimento, observados os protocolos do Ministério da Saúde. Para o segundo ano, aponta condições de maior risco, como doença pulmonar crônica da prematuridade, determinadas cardiopatias congênitas, imunodeficiências, doenças neuromusculares e síndrome de Down.

Outras condições poderiam ser definidas em regulamento, com base nas evidências científicas. O Ministério ficaria responsável pela aquisição, distribuição, protocolos, capacitação de profissionais e monitoramento dos resultados.

O projeto prevê regulamentação pelo Executivo em 180 dias após a futura lei. Esse prazo não está correndo: depende de aprovação e publicação da norma. As despesas seriam cobertas por dotações do Ministério da Saúde, com possibilidade de suplementação.

Palácio do Congresso Nacional em Brasília.
Palácio do Congresso Nacional, em Brasília. Foto de contexto. Crédito: DlauriniJr, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Quem já pode ser atendido pelo SUS

Segundo o Ministério da Saúde, a oferta existente alcança prematuros com idade gestacional de até 36 semanas e seis dias e crianças com menos de dois anos que tenham comorbidades, conforme os critérios do protocolo.

O atendimento envolve maternidades e a rede de imunobiológicos para pessoas com situações especiais. A idade da criança, a condição clínica e as regras de administração precisam ser verificadas pelo serviço de saúde. A proposta legislativa não substitui essa avaliação.

Responsáveis por crianças possivelmente elegíveis podem procurar a unidade de saúde para receber orientação sobre indicação e encaminhamento. Não é necessário esperar a votação do projeto para buscar informações sobre o atendimento já existente.

Anticorpo não é vacina

O nirsevimabe fornece anticorpos prontos, modalidade conhecida como imunização passiva. A vacina, por sua vez, estimula o organismo a produzir uma resposta imune. A distinção evita confundir o medicamento administrado à criança com a vacinação de gestantes contra o VSR.

A prevenção é voltada ao vírus especificado; não representa proteção contra todas as causas de infecção respiratória.

Na ficha da Câmara consultada em 1º de outubro, o projeto aguardava parecer na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família. Também foi encaminhado às comissões de Saúde, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. Para alterar a legislação, ainda precisa concluir a tramitação no Congresso e passar pela etapa de sanção ou veto.

Documentos e fontes consultados

A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.

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