Muito antes de o primeiro eleitor chegar à seção, a urna eletrônica já percorreu uma cadeia de preparação que combina procedimentos digitais, conferências presenciais, lacração e logística. Para as Eleições Gerais de 2026, a Justiça Eleitoral prevê preparar cerca de 560 mil equipamentos destinados a mais de 158,7 milhões de eleitoras e eleitores.
O número é superior às aproximadamente 471 mil urnas utilizadas em 2022. A dimensão da operação ajuda a explicar por que o trabalho é distribuído entre o Tribunal Superior Eleitoral, os tribunais regionais eleitorais e as equipes que atuam em zonas e seções por todo o país.
A descrição publicada pelo TSE em 11 de setembro detalha esse percurso até a abertura da votação. Conhecer as etapas permite ao eleitor entender expressões como carga, lacração e zerésima sem confundir cada controle com uma promessa abstrata de segurança absoluta.
Sistemas são preparados antes da distribuição
Os sistemas eleitorais utilizados no pleito passam por compilação, assinatura digital e lacração pública depois de auditorias e testes. Com essa etapa concluída, chaves de segurança criptografadas são encaminhadas aos tribunais regionais eleitorais para dar continuidade à preparação nos estados.
A assinatura digital permite verificar a autoria e a integridade dos programas. A lacração dos sistemas encerra a versão destinada ao pleito, criando uma referência para as verificações posteriores. Esses procedimentos fazem parte do calendário de preparação e antecedem a instalação das informações em cada equipamento.
Nos TREs, são geradas as mídias que levam às urnas os dados necessários à votação. Entre eles estão as listas de candidaturas e de eleitores da respectiva seção. A carga vincula o equipamento à eleição e ao local em que será utilizado, seguida de conferências pelas equipes responsáveis.
Depois da carga e das verificações, a urna recebe lacres físicos produzidos pela Casa da Moeda do Brasil. De acordo com o TSE, esses materiais deixam sinais quando há tentativa de remoção. A finalidade é permitir a identificação visual de uma eventual intervenção no equipamento.
O lacre físico não substitui os controles digitais, assim como a assinatura dos sistemas não elimina as conferências locais. São camadas diferentes dentro da mesma operação. O processo também admite fiscalização nas etapas previstas pela legislação e pelas normas eleitorais.
Para o leitor, essa distinção é relevante: a preparação não acontece em um único ato nem depende de uma única medida. Sistemas, mídias, equipamentos, documentos e pessoas participam de momentos sucessivos antes de a urna chegar à seção.

Transporte pode ser terrestre, fluvial ou aéreo
Com as urnas preparadas, começa uma operação logística adaptada à realidade de cada região. O deslocamento pode ocorrer por estrada, rios ou via aérea. Em áreas remotas, as rotas e os meios de transporte precisam considerar distância, acesso e condições locais.
A variedade da logística mostra que a eleição nacional não se resume aos grandes centros. O objetivo operacional é colocar os equipamentos nas seções dentro do cronograma, preservando os controles estabelecidos durante o trajeto e a entrega.
Na véspera da votação, as urnas são instaladas e testadas. As equipes verificam a alimentação elétrica e a bateria interna. Esse recurso permite que o equipamento continue funcionando durante uma interrupção de energia, de acordo com as condições previstas para seu uso.
Antes de a seção ser aberta ao público, a urna imprime um relatório chamado zerésima. O documento demonstra que não há votos registrados naquele equipamento naquele momento. A mesa receptora confere o relatório, e fiscais podem acompanhar o procedimento.
O nome vem justamente da função de mostrar a contagem zerada antes do início. A zerésima não é o resultado da seção e não deve ser confundida com o boletim de urna emitido ao final da votação. São documentos produzidos em momentos diferentes e com finalidades distintas.
Depois da conferência, a votação pode ser iniciada no horário oficial. Ao fim do dia, outros procedimentos registram o encerramento e os resultados da seção. A matéria do TSE desta sexta-feira concentra-se no caminho anterior ao primeiro voto.
O que o eleitor pode observar
A maior parte da preparação acontece longe da cabine, mas a emissão da zerésima ocorre na própria seção antes da abertura. Mesários, fiscais e demais participantes habilitados exercem funções específicas de acompanhamento e conferência.
Para quem busca informação confiável, o cuidado principal é consultar o calendário e os materiais da Justiça Eleitoral. Vídeos ou mensagens que retirem uma etapa de seu contexto podem levar a conclusões erradas sobre o que o documento prova ou sobre quando ele é produzido.
A operação descrita pelo TSE reúne escala nacional e controles sucessivos. Em 2026, ela precisa levar aproximadamente 560 mil urnas a um eleitorado superior a 158,7 milhões de pessoas, garantindo que cada equipamento chegue instalado, testado e com a zerésima emitida antes do início da votação.
Documentos e fontes consultados
A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.
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