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Justiça e Tribunais / Radar Jurídico

Da preparação à zerésima: o caminho da urna eletrônica até o voto

Cerca de 560 mil urnas serão preparadas para mais de 158,7 milhões de eleitores. Entenda a carga dos dados, a lacração, o transporte, os testes e o relatório impresso antes do primeiro voto.

Componentes internos de urna eletrônica, em registro divulgado pelo TSE em dezembro de 2023
Componentes internos de urna eletrônica, em registro divulgado pelo TSE em dezembro de 2023. Fotografia de arquivo. Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE · Domínio público

Muito antes de o primeiro eleitor chegar à seção, a urna eletrônica já percorreu uma cadeia de preparação que combina procedimentos digitais, conferências presenciais, lacração e logística. Para as Eleições Gerais de 2026, a Justiça Eleitoral prevê preparar cerca de 560 mil equipamentos destinados a mais de 158,7 milhões de eleitoras e eleitores.

O número é superior às aproximadamente 471 mil urnas utilizadas em 2022. A dimensão da operação ajuda a explicar por que o trabalho é distribuído entre o Tribunal Superior Eleitoral, os tribunais regionais eleitorais e as equipes que atuam em zonas e seções por todo o país.

A descrição publicada pelo TSE em 11 de setembro detalha esse percurso até a abertura da votação. Conhecer as etapas permite ao eleitor entender expressões como carga, lacração e zerésima sem confundir cada controle com uma promessa abstrata de segurança absoluta.

Sistemas são preparados antes da distribuição

Os sistemas eleitorais utilizados no pleito passam por compilação, assinatura digital e lacração pública depois de auditorias e testes. Com essa etapa concluída, chaves de segurança criptografadas são encaminhadas aos tribunais regionais eleitorais para dar continuidade à preparação nos estados.

A assinatura digital permite verificar a autoria e a integridade dos programas. A lacração dos sistemas encerra a versão destinada ao pleito, criando uma referência para as verificações posteriores. Esses procedimentos fazem parte do calendário de preparação e antecedem a instalação das informações em cada equipamento.

Nos TREs, são geradas as mídias que levam às urnas os dados necessários à votação. Entre eles estão as listas de candidaturas e de eleitores da respectiva seção. A carga vincula o equipamento à eleição e ao local em que será utilizado, seguida de conferências pelas equipes responsáveis.

Depois da carga e das verificações, a urna recebe lacres físicos produzidos pela Casa da Moeda do Brasil. De acordo com o TSE, esses materiais deixam sinais quando há tentativa de remoção. A finalidade é permitir a identificação visual de uma eventual intervenção no equipamento.

O lacre físico não substitui os controles digitais, assim como a assinatura dos sistemas não elimina as conferências locais. São camadas diferentes dentro da mesma operação. O processo também admite fiscalização nas etapas previstas pela legislação e pelas normas eleitorais.

Para o leitor, essa distinção é relevante: a preparação não acontece em um único ato nem depende de uma única medida. Sistemas, mídias, equipamentos, documentos e pessoas participam de momentos sucessivos antes de a urna chegar à seção.

Fachada da sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Foto de contexto. Crédito: Luiz Roberto / Secom / TSE, via Wikimedia Commons (Domínio público).

Transporte pode ser terrestre, fluvial ou aéreo

Com as urnas preparadas, começa uma operação logística adaptada à realidade de cada região. O deslocamento pode ocorrer por estrada, rios ou via aérea. Em áreas remotas, as rotas e os meios de transporte precisam considerar distância, acesso e condições locais.

A variedade da logística mostra que a eleição nacional não se resume aos grandes centros. O objetivo operacional é colocar os equipamentos nas seções dentro do cronograma, preservando os controles estabelecidos durante o trajeto e a entrega.

Na véspera da votação, as urnas são instaladas e testadas. As equipes verificam a alimentação elétrica e a bateria interna. Esse recurso permite que o equipamento continue funcionando durante uma interrupção de energia, de acordo com as condições previstas para seu uso.

Antes de a seção ser aberta ao público, a urna imprime um relatório chamado zerésima. O documento demonstra que não há votos registrados naquele equipamento naquele momento. A mesa receptora confere o relatório, e fiscais podem acompanhar o procedimento.

O nome vem justamente da função de mostrar a contagem zerada antes do início. A zerésima não é o resultado da seção e não deve ser confundida com o boletim de urna emitido ao final da votação. São documentos produzidos em momentos diferentes e com finalidades distintas.

Depois da conferência, a votação pode ser iniciada no horário oficial. Ao fim do dia, outros procedimentos registram o encerramento e os resultados da seção. A matéria do TSE desta sexta-feira concentra-se no caminho anterior ao primeiro voto.

O que o eleitor pode observar

A maior parte da preparação acontece longe da cabine, mas a emissão da zerésima ocorre na própria seção antes da abertura. Mesários, fiscais e demais participantes habilitados exercem funções específicas de acompanhamento e conferência.

Para quem busca informação confiável, o cuidado principal é consultar o calendário e os materiais da Justiça Eleitoral. Vídeos ou mensagens que retirem uma etapa de seu contexto podem levar a conclusões erradas sobre o que o documento prova ou sobre quando ele é produzido.

A operação descrita pelo TSE reúne escala nacional e controles sucessivos. Em 2026, ela precisa levar aproximadamente 560 mil urnas a um eleitorado superior a 158,7 milhões de pessoas, garantindo que cada equipamento chegue instalado, testado e com a zerésima emitida antes do início da votação.

Documentos e fontes consultados

A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.

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