A preparação para as Eleições 2026 reúne auditorias das urnas, observação eleitoral e medidas de enfrentamento a conteúdos manipulados por inteligência artificial. O panorama foi divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 5 de setembro.
São frentes diferentes de proteção do processo eleitoral. Os procedimentos sobre os sistemas de votação tratam dos equipamentos e programas; as medidas sobre conteúdo digital se voltam ao ambiente em que o eleitor recebe informações.
Testes antecedem a utilização das urnas
Segundo o tribunal, mais de 560 mil urnas serão distribuídas aos 27 tribunais regionais eleitorais. A preparação inclui testes e procedimentos de assinatura e lacração dos sistemas.
Assinatura e lacração integram a preparação dos sistemas. Não devem ser confundidas com a apuração dos votos, que pertence a outro momento do processo eleitoral. A distribuição aos tribunais regionais organiza a estrutura que será utilizada no pleito.
Cada procedimento responde a uma pergunta própria. A verificação de uma assinatura digital permite comparar a identidade de um arquivo com a referência assinada; o boletim de urna apresenta os votos apurados em uma seção; a totalização reúne resultados. Confundir essas etapas pode levar a cobrar de um documento uma informação que ele não foi produzido para oferecer. A fiscalização se fortalece quando identifica o objeto da conferência e confronta registros compatíveis, em vez de tratar todo mecanismo como uma prova genérica de qualquer aspecto da eleição.
Deepfakes exigem atenção ao conteúdo que circula
No ambiente digital, a Justiça Eleitoral destaca o combate a deepfakes usados para enganar o eleitorado. As plataformas foram chamadas a apresentar planos de conformidade e redução de riscos.
Deepfakes são materiais manipulados que podem fazer uma pessoa parecer dizer ou fazer algo que não ocorreu. O foco descrito pelo TSE está no uso dessa manipulação para enganar o eleitorado, e não em equiparar toda aplicação de IA a uma fraude.
Cobrar planos das plataformas também é diferente de atestar sua eficácia. A apresentação de medidas de redução de risco não demonstra, isoladamente, que um conteúdo ilícito deixará de circular.
No caso de uma gravação suspeita, o primeiro passo informativo é procurar sua origem e a versão integral. Um trecho curto pode omitir uma pergunta, inverter a sequência de falas ou reapresentar um episódio antigo como atual. O uso de ferramentas de IA acrescenta possibilidades de manipulação, mas não elimina as formas anteriores de descontextualização. A aparência convincente do material tampouco é prova suficiente de autenticidade. Quando a origem não puder ser confirmada, a incerteza deve acompanhar a informação, sem transformar suspeita em acusação.
O conjunto de ações também contempla acessibilidade e acompanhamento por observadores. As iniciativas abrangem diferentes frentes da organização do pleito, da preparação dos equipamentos à circulação de conteúdo nas redes.
O panorama divulgado é de preparação, não um balanço de votação encerrada. Os dados sobre equipamentos e iniciativas devem ser lidos nesse estágio, sem antecipar resultados das eleições ou das medidas anunciadas.
O parque reúne quatro modelos de urna que passaram pelo Teste Público de Segurança e pela Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas Eleitorais. Esses procedimentos permitem que entidades fiscalizadoras examinem componentes e depois verifiquem se o software instalado corresponde à versão assinada.

Para 2026, o TSE também anunciou ajustes de acessibilidade e melhorias na transmissão de dados do e-Título, com o objetivo de reduzir filas e tempo de espera. Essas medidas pertencem à operação do pleito e não alteram as condições legais para votar ou justificar ausência.
O tribunal informou que observadores e juízes de mais de 80 países e organismos multilaterais poderão acompanhar etapas como carga dos sistemas, sorteio das urnas submetidas a auditoria no dia da eleição e apuração. Observação internacional não administra a votação; ela acompanha procedimentos e produz avaliações independentes.
As federações partidárias também integram o desenho do pleito. Elas reúnem partidos por período mínimo de quatro anos e funcionam como uma única agremiação para distribuição de tempo de rádio e televisão, recursos e cálculo dos quocientes eleitoral e partidário.
Denúncias sobre propaganda eleitoral podem ser encaminhadas pelo aplicativo Pardal. Já questionamentos técnicos sobre urnas e sistemas seguem canais e momentos específicos de fiscalização. Separar esses caminhos ajuda a evitar que uma reclamação sobre conteúdo digital seja confundida com auditoria do equipamento de votação.
A zerésima, emitida antes do início da votação, demonstra que não há votos registrados naquela urna. Ao final, o boletim de urna apresenta o resultado da seção e pode ser comparado com os dados totalizados, criando pontos públicos de conferência.
O TSE mantém documentação sobre o código QR impresso no boletim de urna, incluindo a representação dos dados e mecanismos de assinatura digital. O recurso permite trabalhar com os registros do documento de forma estruturada, além da leitura visual. Em entrevista institucional publicada em agosto de 2026, o tribunal voltou a apontar a coleta desses códigos como caminho de conferência. A comparação precisa usar a mesma seção e eleição; boletins de locais diferentes não são versões concorrentes de um único resultado.
Em um exemplo hipotético, uma imagem de boletim pode circular acompanhada de uma legenda que atribui seus números ao município inteiro. Mesmo que o documento seja autêntico, a conclusão estará usando uma base inadequada: o resultado de uma seção não representa automaticamente o total municipal. Antes de compartilhar uma suposta divergência, é necessário conferir identificação, turno, cargo e abrangência do dado. Esse cuidado vale igualmente para tabelas, capturas de sistemas e recortes de transmissões.
Fiscalização partidária, auditorias técnicas e observação eleitoral têm papéis complementares. Nenhum deles depende de confiar apenas em uma declaração institucional: os procedimentos geram documentos, assinaturas digitais e resultados que podem ser confrontados.
Também convém separar uma ocorrência operacional de uma afirmação sobre o conjunto do sistema. Um relato sobre fila, substituição de equipamento ou dificuldade de acesso deve ser apurado com identificação do local, horário e providência adotada. Sua gravidade não pode ser minimizada, mas seu alcance tampouco deve ser ampliado sem evidências. Uma cobertura útil reconstrói o episódio e seus efeitos concretos, sem atribuir a um problema localizado consequências que ainda não foram demonstradas.
Para o eleitor, acompanhar a preparação significa conhecer canais e registros antes do dia da votação. Informações sobre local, documentos e serviços devem ser conferidas nos canais oficiais, especialmente quando mensagens recebidas impõem urgência ou pedem dados. O cuidado com a informação não termina na identificação de um vídeo falso: inclui distinguir orientação de serviço, propaganda, opinião e resultado oficial, cada qual com sua finalidade e seu momento de divulgação.
Conteúdo produzido por IA sobre eleição deve ser avaliado também pelas regras de propaganda e desinformação. A ferramenta usada não altera a necessidade de identificar responsabilidade, alcance, impulsionamento e eventual manipulação enganosa.
Documentos e fontes consultados
A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.
- TSE · preparação das Eleições 2026TSE · preparação das Eleições 2026
- Resolução TSE nº 23.755/2026Resolução TSE nº 23.755/2026
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