O depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal sobre operações entre o Banco Master e o BRB, previsto para 15 de setembro, foi adiado após a defesa pedir mais tempo para examinar os documentos da investigação.
A Agência Brasil informou o adiamento em reportagem publicada naquela tarde. Segundo o relato, os advogados alegaram precisar de prazo para analisar o material e manifestaram dúvida sobre o acesso integral aos autos. A notícia aponta a remarcação para a semana seguinte, sem especificar o dia.
O Jornal da Justiça não localizou, nesta checagem, intimação, despacho ou comunicado público da PF ou do STF que estabeleça a nova data. Por isso, a reportagem não fixa um dia para a oitiva. O adiamento é atribuído à informação jornalística disponível, e não apresentado como confirmação obtida diretamente da corporação.
O que os documentos oficiais dizem sobre a investigação
O contexto das operações está descrito em comunicado do próprio STF sobre a Petição 15.771, divulgado em abril de 2026. Ao informar medidas adotadas naquela fase da Compliance Zero, o tribunal registrou que as apurações examinavam a suspeita de fabricação e venda de carteiras de crédito fictícias do Master ao BRB.
Segundo a comunicação oficial, os autos mencionavam R$ 12,2 bilhões em carteiras supostamente irregulares. O valor corresponde às operações descritas naquela decisão, não a uma conclusão sobre o prejuízo definitivo. O comunicado explica o objeto da investigação financeira; não informa o calendário do depoimento de setembro.
Uma cessão de crédito transfere o direito de receber pagamentos de devedores. Para avaliar uma carteira, é necessário conferir os contratos de origem, a liberação dos empréstimos e a possibilidade de cobrança. A apuração busca estabelecer se os ativos negociados tinham o lastro apresentado e qual foi a atuação dos envolvidos.

O BRB é controlado pelo Distrito Federal, o que amplia o interesse público sobre a recuperação dos recursos. Garantias, ativos substitutos e valores efetivamente recebidos precisam ser considerados para dimensionar o impacto financeiro.
Por que a defesa pediu mais tempo
A justificativa relatada pela Agência Brasil diz respeito à preparação para responder às perguntas sobre os documentos. A alegação dos advogados não permite concluir, sem examinar o processo, que houve negativa indevida de acesso.
A oitiva é uma etapa em que a versão do investigado pode ser confrontada com os elementos reunidos. Não substitui a análise dos registros financeiros nem resolve, isoladamente, as suspeitas. O conteúdo de um futuro depoimento só poderá ser descrito depois de realizado e conhecido pelos meios adequados.
Essa frente financeira também não se confunde com a discussão no Supremo sobre o relatório que menciona Alexandre de Moraes. Uma alteração no calendário de um procedimento não determina, por si só, o andamento do outro.
Atualização editorial: a referência ao dia 24 de setembro foi retirada porque não foi localizado um ato oficial público que confirme essa data.
Documentos e fontes consultados
A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.
- Supremo Tribunal FederalSupremo Tribunal Federal · Fonte primária
- Agência BrasilAgência Brasil · Fonte primária
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