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Moraes acusa Mendonça de pressionar por seu nome em delação; ministro nega

Confronto ocorreu durante sessão sobre o relatório da PF. Moraes diz ter testemunhas; Mendonça rejeita direcionamento. Julgamento terminou sem decisão sobre a acusação.

Alexandre de Moraes fala ao microfone durante cerimônia em Brasília
Alexandre de Moraes durante cerimônia em Brasília. Foto de arquivo; não retrata a sessão de 15 de setembro de 2026. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A crise do Master levou a um confronto direto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no plenário do STF. Em 15 de setembro, Moraes acusou o colega de pressionar investigadores para incluir seu nome em uma eventual delação de Daniel Vorcaro. Mendonça negou a acusação durante a sessão.

Segundo os relatos da Agência Brasil e da CNN, Moraes afirmou que teria testemunhas entre advogados e policiais. As fontes consultadas não apresentam depoimentos dessas pessoas que permitam comprovar a alegada exigência.

O embate ocorreu enquanto os ministros discutiam o relatório da PF que menciona Moraes e o ex-controlador do Banco Master. O documento e a maneira como foi produzido estão no centro de uma disputa sobre a validade da apuração.

Acusação e resposta no plenário

Moraes atribuiu motivação político-eleitoral à suposta conduta e questionou a atuação de Mendonça. O ministro também contesta a interpretação dos dados do celular de Vorcaro e nega ter praticado atos para beneficiar o empresário.

Mendonça rejeitou ter pedido a inclusão do colega em uma delação e negou direcionamento das investigações. A resposta foi dada no próprio plenário, no decorrer do confronto relatado pelos veículos.

Uma eventual colaboração de Vorcaro foi mencionada nas acusações, mas a discussão não demonstra que exista acordo firmado. Também não substitui a verificação das alegações sobre pressão: elas dependem de elementos próprios, além da declaração de quem as apresentou.

Edifício do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Edifício do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Foto de contexto. Crédito: Daderot, via Wikimedia Commons (CC0 1.0).

A disputa sobre a produção do relatório

A Procuradoria-Geral da República pede a anulação do documento policial. O órgão questiona o avanço da apuração sobre um integrante da Corte sem a autorização que considera necessária do plenário.

O debate processual é diferente da apuração de cada acusação feita entre os ministros. Examinar se o relatório foi produzido regularmente não resolve automaticamente se os registros estão corretamente interpretados, nem comprova a suposta pressão relatada por Moraes.

Em 12 de setembro, Fachin assumiu a relatoria da PET 16.662 após o envio dos autos por Mendonça, conforme nota oficial do STF. A mudança levou ao plenário uma controvérsia que envolve tanto os dados policiais quanto a condução dos procedimentos.

O que o Supremo decidiu naquele dia

A sessão terminou sem conclusão sobre a reunião dos casos de Moraes e Mendonça. Flávio Dino pediu vista quando o placar provisório era de 4 a 3 por julgamentos separados.

Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação; Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes, pela análise conjunta. O pedido interrompeu a discussão antes de uma decisão final sobre o relatório.

Não houve, nesse encerramento, julgamento que confirmasse a acusação de pressão por delação. Permanecem a declaração de Moraes, a negativa de Mendonça e a necessidade de examinar os elementos que cada um apresenta.

Documentos e fontes consultados

A apuração foi conferida nos documentos e canais abaixo. A data indicada é a data do documento ou da publicação da fonte.

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